ksPD – Kit de Sensibilização à Preservação Digital. O paradigma da computação em nuvem. As exigências levantadas pelos Arquivos Electrónicos: persistência de formatos e tecnologias, segurança de sistemas de informação, preservação de suportes de informação, auditoria em sistemas de informação. Condições de preservação e segurança – o caso extremo dos data havens. O futuro – um panorama de mudança.
Alguns suportes de armazenamento exóticos
15 04 2011No web site PCMAG.COM uma pequena lista de 10 suportes de armazenamento com características, no mínimo, insólitas.
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Categorias : Suportes de armazenamento
Tecnologias Aplicadas [...] / 1ª aula, 9 de Fevereiro
14 02 2011Apresentação da disciplina, estabelecimento de alguns dos limites à abordagem seguida. Apresentação de suportes de armazenamento de informação e discussão de várias questões relacionadas. Capacidade de armazenamento de informação: terminologia envolvida.
Tecnologia / Informação / Arquivística
De que é que falamos quando recorremos ao termo «tecnologia» no contexto desta disciplina? Trata-se de um termo demasiado genérico, facilmente aplicável a tudo. Uma caneta esferográfica representa um extremo evolutivo de um determinado conjunto de tecnologias na área da escrita – misturando o controlo de determinados materiais (as esferas), com a densidade precisa da tinta, com um design mais ou menos bem conseguido. E muito embora seja concebível definir preocupações de índole arquivístico que envolvam esferográficas (ou, pelo menos, os resultados do seu uso - cuidados de preservação de certos escritos, por exemplo), não é bem isso que se pretende numa disciplina com o nome desta – Tecnologias Aplicada à Gestão de Informação Arquivística.
Deixando por momentos em suspendo o termo «tecnologias», dediquemos a nossa atenção ao termo «informação». Com base nos trabalhos de um dos primeiros teóricos deste campo, Claude Shannon (veja-se, por exemplo, A Mathematical Theory of Communication), podemos dizer que a informação é algo que está presente sempre que um sinal é transmitido de um lado para o outro (independentemente da natureza do sinal, ou da tecnologia que dá forma ao canal de comunicação). Claro está que esta passagem de sinais pode ser feita com recurso a mais ou menos tecnologia. Falar numa sala de aula é uma abordagem de baixa tecnologia (falamos no geral, descontando os casos em que os receptores necessitam de auxiliares tecnológicos eles próprios para perceber o que é dito). Falar com alguém ao telemóvel, muito embora seja um acto fisicamente simples, envolve uma imensa quantidade de camadas de tecnologia, das quais, na maior parte dos casos, nem nos apercebemos.
Quando juntamos as duas palavras, obtemos uma expressão envenenada, «tecnologias de informação». A forma como falámos destas palavras nos parágrafos anteriores, leva-nos para um âmbito de aplicação demasiado vasto – corremos o risco de nos estarmos a referir a tudo aquilo que, com maior ou menor grau de complexidade, propicie a passagem de um sinal (de qualquer tipo), de um lado para o outro, de um emissor para um ou mais receptores. Esta expressão pode ainda ser reforçada quando é designada como «tecnologias de informação e comunicação». E esta é a formulação que pode ser encontrada, por exemplo, nos curricula do ensino básico. Quando é utilizada, empurra-nos, inevitavelmente, para tudo aquilo que tenha a ver com computadores, ignorando virtualmente qualquer outro uso que lhe possa ser dado (e para o qual haveria muito espaço, de um ponto de vista puramente etimológico).
Conclusão: à luz dos usos que são dados hoje a alguns destes termos, o nome da disciplina, Tecnologias Aplicadas à Gestão de Informação Arquivística, leva-nos para a discussão das múltiplas formas como os computadores podem ser aplicados nas práticas arquivísticas, dentro e fora dos arquivos.
Qual é a primeira etapa deste percurso? Olhar para suportes de armazenamento de informação, na medida em que eles constituem o elemento material mais perceptível de uma abordagem digital ao armazenamento de informação. Desmaterializamos suportes como o papel, para tornar os seus conteúdos em longas cadeias de números, os quais colocamos dentro de uma variedade de peças físicas, de base tecnológica variável. Ao mesmo tempo, vamos também preenchendo esses suportes com conteúdos criados de raiz por processos digitais. Rapidamente somos confrontados com uma variedade de soluções de armazenamento, as quais tendem a dar origem, ao longo do tempo, a igual variedade de problemas e exigências, no que diz respeito à sua preservação (tendo em conta a necessidade de lhes assegurar uma existência útil – com manutenção de dados no seu interior e com a possibilidade de os extrair). Por exemplo, é fácil apresentar um estendal deste género, concentrando tecnologias cujo âmbito cronológico se expande por várias décadas:
Para cada um destes suportes de armazenamento, é apresentado um preço (unitário ou por GB), bem como o preço da tecnologia exigida para a sua utilização quando esta já não tem uma existência corrente).
As várias tecnologias de armazenamento aqui presentes – papel, magnéticas e ópticas - ainda podem ser consideradas como «vivas», na medida em que, com maior ou menor grau de dificuldade, é possível encontrar à venda não só os suportes de armazenamento, mas também as peças de equipamento que permitem o seu uso. Isso é verdade para os cartões perfurados, para os múltiplos formatos físicos de fitas magnéticas, para as disquetes de 3,5″, de 5,25″ e de 8″, para as disquetes de 3,5″ ED (e até para disquetes mais exóticas, não patentes nesta mostra – como as de 3″). Note-se que, para já, estamos a deixar propositadamente de lado questões relacionadas com a capacidade de utilização prática do suporte A ou do suporte B num sistema operativo moderno, ou questões relacionadas com a possibilidade de interpretar dados que neles estejam gravados. Isso constitui um segundo nível de preocupações, a abordar atempadamente.
Perante uma exposição desta natureza, podem ser traçadas várias considerações:
- Os preços apresentados são os preços «de rua», ou seja, aqueles que podem ser encontrados em loja. Nesta folha de cálculo, actualizada em 9 de Fevereiro de 2011, estão listados preços de uma quantidade de suportes de armazenamento, disponíveis em lojas portuguesas (ou em modalidade online). Note-se que uma lista desta natureza peca pela (muito) rápida desactualização e pela inconstância do mercado (muito embora parte destas lojas sejam grandes superfícies comerciais, nada nos garante que uma determinada loja em funcionamento numa semana, se mantenha aberta na semana seguinte).
- O armazenamento empresarial não é, habitualmente, vendido desta forma. Discos para um servidor ou para uma estrutura SAN costumam ser vendidos ao abrigo de um contrato (o que pode fazer variar muito os preços). Muito embora seja possível encontrar nalgumas destas lojas determinados suportes que, pelas suas características, sejam considerados como da área empresarial, a verdade é que estes não são os canais preferenciais para a sua divulgação.
- Como é óbvio, alguns destes suportes já estão obsoletos. No entanto, ainda é possível encontrar em venda não só cada um deles, mas também o equipamento necessário para os ler. De ano para ano, alguns deles vão-se aproximando cada vez mais do estatuto de raridade.
Bits, Bytes, Kilobytes, etc.
Armazenamento digital significa, por outras palavras, armazenamento por números. Seja qual for o formato de dados com que lidamos num contexto informático – texto, imagem, som, vídeo, etc. – o seu armazenamento é feito sob forma numérica. O facto de vermos uma fotografia de férias, ou os primeiros passos dos nossos filhos resulta tão somente da existência de bons filtros, que fazem a tradução entre o armazenamento de dados e a sua representação visual.
Ao nível mais básico, qualquer computador ou peça de equipamento com vertentes computacionais (por exemplo, qualquer câmara fotográfica digital cai dentro desta classificação) lida, de forma *muito* rápida, com estados de ausência/presença de energia, os quais são processados numericamente com os valores de 0 e 1. Estes dois estados são medidos através da unidade mais básica de contagem de volumes de informação, o bit.
Muito embora os computadores (e equipamentos afins) lidem de uma forma extremamente eficiente com os bits, nem todos os seres humanos o conseguem fazer. Muito embora sejam integráveis no seu próprio sistema de numeração – o sistema binário (porque falamos de dois estados) – para efeitos práticos de utilização no dia-a-dia revelou-se aconselhável definir outras unidades de medida de capacidade, com uma utilidade mais palpável para os operadores humanos.
Assim, através de uma sucessão de agrupamentos, chegamos à lista corrente de unidades de representação de volumes de informação, em termos informáticos.
Bit
apenas assume dois valores, 0 ou 1
Byte
Nome dado ao agrupamento de 8 bits. Consideremo-la como a unidade de armazenamento mais diminuta com algum significado prático para a maior parte dos utilizadores: um byte permite armazenar um caracter, letra, número ou sinal de pontuação
Como nem tudo o que é armazenado informaticamente é constituído por caracteres, convém, por um lado, prever a existência de unidades de medição mais abrangentes e não exclusivas para a contagem de caracteres. Por outro lado, revela-se pouco prático utilizar uma medida unitária para definir o volume ocupado por grandes blocos de informação. Foram então estabelecidas várias unidades de medida, como múltiplos sucessivos uns das outras. O esquema da sua nomenclatura baseou-se no Sistema Internacional de Unidades, mantido pelo Gabinete Internacional de Pesos e Medidas:
1024 bytes são um Kilobyte (KB)
1024 KB são um Megabyte (MB)
1024 MB são um Gigabyte (GB)
1024 GB são um Terabyte (TB)
1024 TB são um Petabyte (PB)
1024 PB são um Exabyte (EB)
1024 EB são um Yottabyte (YB)
1024 YB são um Zettabyte (ZB)
Em termos práticos, no que diz respeito ao volume físico ocupado pelos dados, podemos segurar Terabytes nas nossas mãos: os discos rígidos de maior capacidade (em Março de 2011) podem armazenar até 3 TB, as fitas magnéticas até 1.6 TB (em condições óptimas) . No que diz respeito à dimensão, os maiores conjuntos de dados de que há conhecimento efectivo estão ao nível dos poucos Petabytes. Estamos a falar em conjuntos de dados relativamente especializados, cujas características se prestam bem ao crescimento em larga escala e em relação aos quais será necessário falar mais adiante.
Para o comum dos utilizadores, ocorre uma separação notória entre o tamanho dos documentos que cria e as dimensões do espaço de armazenamento onde as guarda: os primeiros situam-se por norma ainda na casa dos Megabytes, enquanto que os segundos são quase forçosamente da ordem dos Gigabytes.
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Categorias : Ano lectivo 2010-2011, Aulas, Suportes de armazenamento, Tecnologias Aplicadas à Gestão de Informação Arquivística
Nunca guardar as coisas apenas num sítio
21 01 2011No web site Slashdot, uma discussão sobre a melhor forma de guardar fotografias pessoais, deixa adivinhar uma preocupação genérica: independentemente do tipo de suporte utilizado (disco rígido, CDs, DVDs, discos Blu-ray, fitas magnéticas ou armazenamento online), nunca fazer apenas uma cópia / utilizar apenas um suporte. Por isso, sempre que alguém nos perguntar se faz sentido comprar um disco rígido externo para guardar quantidades crescentes de ficheiros, a resposta certa é que faz sentido, mas que devem ser comprados dois e devem ser feitas cópias para os dois.
Esta resposta destinar-se-à apenas a manter a conversa num tom ameno, sem levantar ondas quanto a níveis adicionais de redundância: a necessidade de lidar com vários suportes de tecnologias diferentes, a vantagem em desmaterializar as coisas optando pelo armazenamento online, a necessidade de espalhar cópias por espaços físicos afastados entre si, etc. Há que dar um passo de cada vez e nada melhor do que começar por combater a ideia de que um disco rígido externo chega para fazer cópias de segurança.
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